quinta-feira, 25 de março de 2010

Desapego.

O desapego pode ser considerado uma arte, um dom. Não pode-se dizer que é fácil sair de um vício, não gostar mais do que era importe (pelo menos para você). Todos nós temos pontos fortes e fracos, laços que prendem o corpo e a alma.
O desapego não consiste apenas em desvincular-se objetos físicos, mas também em sentimentos para com os outros. O apego pode gerar escravidão, arrancando-lhe a liberdade, a razão e os pensamentos. Que atire a primeira pedra quem nunca sentiu-se magoado por lembrar daquele amigo que nunca mais viu, de um primo que se distanciou, de quem deixou em outro lugar. A questão é que o desapego, em grande parte dos casos, não ocorre de ambos os lados, e deixa cicatrizes.
Em pleno século XXI, creio que o real apego que temos é material, mas para disfarçar os efeitos do desapego de pessoas próximas. Tentamos nos contentar com coisas diferentes, com o surreal, imaginário e virtual, tentando esquecer os atos e sentimentos. Esquecer o que permanece em cada um.
Sou uma pessoa as avessas; estou tentando um resgate. Reaprendo o que talvez nunca esqueci: apegar-me. Estou me apegando aos poucos, de mansinho, com pessoas que talvez ainda mal conheça, mas que já ocupam um lugar gigantesco em mim, e passando a se tornarem mais especiais que qualquer raridade comprada. Isso me satisfaz, me alegra, me constrói, me enriquece como ser humano.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Gélido amor.

A espera de algo que vem
Aos poucos, ou correndo
Para colidir com o que aqui há
E trincar até o fim

Quero sentir o mármore frio encostar
Sentir minhas bochechas corar
Sem começo, meio e fim
Apenas a breve intensidade

Lábios gélidos
Coração de pedra
Junte sua frieza a minha
E trincaremos os nossos corações de pedra

Não há limites
Eu gosto do ácido, do frio e do amargor
Pressione seus lábios nos meus
E compartilharemos nosso frio amor

sábado, 20 de março de 2010

Retorno.

Após quase um mês sumida, eu retorno aqui para tirar a poeira e as teias. Esse não é o retorno apenas da escrita, mas também de sensações e pensamentos. São nuvens que passam por nós e despertam nossa imaginação.
Abro minha mente e meu coração para receber o mundo, sem medo de pensar em tudo o que está por vir. Não devo temer, pois ninguém realmente sabe o dia de amanhã. Eu estou deixando de levar as situações, e permitindo-me ser levada. Essa é a verdade.
Há várias conclusões que podem ser tiradas de tudo o que digo, mas do que importa? O importante é que eu saiba o que digo. Ou ao menos pense que eu sei.




Há mais coisas que se pensa.