quinta-feira, 25 de março de 2010

Desapego.

O desapego pode ser considerado uma arte, um dom. Não pode-se dizer que é fácil sair de um vício, não gostar mais do que era importe (pelo menos para você). Todos nós temos pontos fortes e fracos, laços que prendem o corpo e a alma.
O desapego não consiste apenas em desvincular-se objetos físicos, mas também em sentimentos para com os outros. O apego pode gerar escravidão, arrancando-lhe a liberdade, a razão e os pensamentos. Que atire a primeira pedra quem nunca sentiu-se magoado por lembrar daquele amigo que nunca mais viu, de um primo que se distanciou, de quem deixou em outro lugar. A questão é que o desapego, em grande parte dos casos, não ocorre de ambos os lados, e deixa cicatrizes.
Em pleno século XXI, creio que o real apego que temos é material, mas para disfarçar os efeitos do desapego de pessoas próximas. Tentamos nos contentar com coisas diferentes, com o surreal, imaginário e virtual, tentando esquecer os atos e sentimentos. Esquecer o que permanece em cada um.
Sou uma pessoa as avessas; estou tentando um resgate. Reaprendo o que talvez nunca esqueci: apegar-me. Estou me apegando aos poucos, de mansinho, com pessoas que talvez ainda mal conheça, mas que já ocupam um lugar gigantesco em mim, e passando a se tornarem mais especiais que qualquer raridade comprada. Isso me satisfaz, me alegra, me constrói, me enriquece como ser humano.

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